BLOG

Leia nosso artigo completo.

DAC: o que é a Doença Arterial Coronariana e como prevenir as suas complicações

Você já ouviu falar em Doença Arterial Coronariana, ou a sigla DAC? Ela é uma condição cardíaca muitoprevalente no Brasil e no mundo e uma das principais responsáveis por infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). E, assim como a hipertensão, muitas vezes pode se desenvolver em silêncio.

Neste blog, vamos explicar, em linguagem simples, o que é a DAC, quais são seus sintomas, como ela se relaciona com o AVC, como é tratada e, principalmente, o que você pode fazer hoje para se proteger.

O que é a Doença Arterial Coronariana?

Para entender a DAC, imagine as artérias coronárias como tubos que levam sangue, oxigênio e nutrientes diretamente para o músculo do coração. Quando esse sistema funciona bem, o coração trabalha com eficiência.

A DAC acontece quando essas artérias ficam estreitadas ou obstruídas por depósitos de gordura, muitas vezes relacionadas ao aumento do colesterol, um processo chamado de aterosclerose. Com o tempo, essa placa de gordura crescee reduz o fluxo de sangue para o coração.

O resultado? O coração começa a receber menos oxigênio do que precisa. Quando isso acontece de forma gradual, pode causar angina (dor ou pressão no peito durante esforço). Quando uma placa se rompe e forma um coágulo que bloqueia completamente a artéria, o resultado é o infarto do miocárdi.

Quais são os sintomas da DAC?

A DAC pode se manifestar de formas diferentes dependendo do estágio e do paciente. Os sinais mais comuns incluem:

  • Dor ou pressão no peito (angina): a famosa “pisada de elefante”, uma sensação de aperto, queimação ou peso no centro do peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, costas ou pescoço. Geralmente aparece durante esforço físico ou emoções intensas e melhora com repouso;
  • Falta de ar: especialmente ao realizar atividades que antes eram fáceis;
  • Cansaço excessivo e incomum;
  • Palpitações e batimentos irregulares;
  • Tontura ou sensação de desmaio.

⚠️ Atenção: Em mulheres, os sintomas da DAC podem ser mais sutis, como cansaço extremo, náusea, dor nas costas ou mandíbula, o que frequentemente leva a diagnósticos tardios. Qualquer sintoma persistente deve ser investigado por um médico.

Importante: a DAC também pode ser assintomática, especialmente nos estágios iniciais. Por isso, a avaliação médica regular é fundamental principalmente para quem tem fatores de risco.

Qual a relação entre a DAC e o AVC?

Essa é uma conexão que muitas pessoas desconhecem: a DAC e o AVC (Acidente Vascular Cerebral) compartilham o mesmo processo de base, a aterosclerose. A mesma doença que obstrui as artérias do coração pode afetar as artérias do cérebro.

Além disso, a DAC eleva o risco de fibrilação atrial, que por sua vez favorece a formação de coágulos dentro do coração. Esses coágulos podem se desprender, viajar pela corrente sanguínea e causar um AVC isquêmico, quando um vaso do cérebro é bloqueado.

Existe também o AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de vasos sanguíneos no cérebro, frequentemente associado a mal-formações dos vasos sanguíneos cerebrais e à hipertensão não controlada que, por sua vez, é um dos principais fatores de risco para a própria DAC.

Em resumo: coração e cérebro estão profundamente conectados. Cuidar de um é cuidar do outro.

Como prevenir o AVC e a DAC?

A boa notícia é que as estratégias de prevenção são, em grande parte, as mesmas. E elas começam com os hábitos do dia a dia:

  • Controle a pressão arterial: a hipertensão é um dos principais fatores de risco tanto para a DAC quanto para o AVC. Atualmente, valores menores que 120/80mmHg são considerados “normais”; para quem é hipertenso, a pressão deve ser mantida geralmente abaixo de 130/80mmHg.
  • Gerencie o colesterol: os níveis de LDL (o colesterol “ruim”) elevados aceleram a formação de placas nas artérias. Alimentação adequada e, quando necessário, medicamentos são aliados fundamentais;
  • Controle a glicemia: o diabetes danifica os vasos sanguíneos e agrava a aterosclerose. Manter a glicose sob controle é essencial;
  • Abandone o tabagismo: fumar danifica diretamente as paredes dos vasos sanguíneos, acelera a formação de placas e aumenta o risco de coágulos;
  • Pratique exercícios físicos regularmente: pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada. Além de reduzir a pressão e o colesterol, o exercício fortalece o músculo cardíaco e melhora a circulação;
  • Mantenha um peso saudável: a obesidade sobrecarrega o coração, eleva a pressão e contribui para o diabetes e a dislipidemia;
  • Reduza o consumo de álcool e sódio;
  • Gerencie o estresse: o estresse crônico libera hormônios que elevam a pressão e a frequência cardíaca, favorecendo eventos cardiovasculares.

Como a DAC é tratada?

O tratamento da Doença Arterial Coronariana depende do estágio da doença e do perfil do paciente. De forma geral, ele se divide em:

Mudanças no estilo de vida:

São a base de qualquer tratamento cardiovascular: alimentação equilibrada (com ênfase na redução de gorduras saturadas, açúcares e sódio), atividade física regular, controle do peso, abandono do tabagismo e gerenciamento do estresse.

Tratamento farmacológico:

O médico pode prescrever medicamentos para reduzir o colesterol, controlar a pressão arterial, prevenir a formação de coágulos, e tratar os sintomas como a angina. Nunca interrompa o uso de medicamentos sem orientação médica. A DAC é uma condição crônica e o tratamento geralmente é de longo prazo.

Procedimentos e cirurgias (quando necessário):

  • Angioplastia: um cateter com um balão é inserido na artéria obstruída para desobstruí-la, frequentemente com a colocação de um stent (uma espécie de mola metálica que mantém a artéria aberta);
  • Cirurgia de revascularização miocárdica (): cria-se um “desvio” com uma veia, geralmente a safena, ou uma artéria, como a mamária ou a radial, para que o sangue contorne a obstrução e chegue ao coração por uma nova rota.

A escolha do tratamento é sempre individualizada. Seu cardiologista é quem melhor pode avaliar o que é adequado para o seu caso.

Quais os fatores de risco para a DAC?

Conhecer os fatores de risco é o primeiro passo para a prevenção:

  • Hipertensão arterial
  • Colesterol alto (LDL elevado e HDL baixo)
  • Diabetes
  • Tabagismo
  • Obesidade e sedentarismo
  • Histórico familiar de doença cardíaca precoce (pais ou irmãos com infarto antes dos 55 anos em homens ou 65 anos em mulheres)
  • Idade: o risco aumenta a partir dos 45 anos em homens e dos 55 anos em mulheres (principalmente após a menopausa)
  • Estresse crônico e privação de sono

Prevenção é o melhor tratamento

A DAC é uma doença séria, mas amplamente prevenível. As mesmas ações que protegem o coração também protegem o cérebro. Consultas regulares com seu cardiologista, exames periódicos e hábitos saudáveis são os pilares de uma vida longa e com qualidade.

Se você tem fatores de risco ou nunca fez uma avaliação cardiovascular, este é o momento de agir. Não espere sentir algo para cuidar do seu coração.

O É De Coração está aqui para te apoiar nessa jornada. Acompanhe nossos conteúdos, acesse nossos materiais educativos e compartilhe esse conhecimento com quem você ama.

 

Referências bibliográficas:

 

Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Armstrong AC, Mulinari RA, Feitosa ADM, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624.

Cesar LAM, Gowdak LHW, Pavanello R, Ferreira JFM, Mioto BM, Poppi NT, et al. Diretriz de Síndrome Coronariana Crônica – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025; 122(9):e20250619.

Leia outros artigos

Hipertensão: Conscientização e Prevenção — Chegou a Hora de Fazer as Perguntas Certas

Doenças cardiovasculares e o cuidado integral com a sua saúde

Uma conversa sobre sobre as ferramentas práticas que você já tem para começar (ou continuar) a sua jornada de cuidado.

Insuficiência Cardíaca: como identificar, prevenir e viver melhor

Como você pode viver bem mesmo com esse diagnóstico.

Pressão Alta

Mitos e verdades.

Ansiedade ou Arritmia?

Saiba mais sobre os sintomas mais comuns, quando é grave e como prevenir.

Somos o É De Coração

A prevenção e o autocuidado podem salvar vidas.