Você já ouviu falar em Doença Arterial Coronariana, ou a sigla DAC? Ela é uma condição cardíaca muitoprevalente no Brasil e no mundo e uma das principais responsáveis por infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). E, assim como a hipertensão, muitas vezes pode se desenvolver em silêncio.
Neste blog, vamos explicar, em linguagem simples, o que é a DAC, quais são seus sintomas, como ela se relaciona com o AVC, como é tratada e, principalmente, o que você pode fazer hoje para se proteger.
Para entender a DAC, imagine as artérias coronárias como tubos que levam sangue, oxigênio e nutrientes diretamente para o músculo do coração. Quando esse sistema funciona bem, o coração trabalha com eficiência.
A DAC acontece quando essas artérias ficam estreitadas ou obstruídas por depósitos de gordura, muitas vezes relacionadas ao aumento do colesterol, um processo chamado de aterosclerose. Com o tempo, essa placa de gordura crescee reduz o fluxo de sangue para o coração.
O resultado? O coração começa a receber menos oxigênio do que precisa. Quando isso acontece de forma gradual, pode causar angina (dor ou pressão no peito durante esforço). Quando uma placa se rompe e forma um coágulo que bloqueia completamente a artéria, o resultado é o infarto do miocárdi.
A DAC pode se manifestar de formas diferentes dependendo do estágio e do paciente. Os sinais mais comuns incluem:
⚠️ Atenção: Em mulheres, os sintomas da DAC podem ser mais sutis, como cansaço extremo, náusea, dor nas costas ou mandíbula, o que frequentemente leva a diagnósticos tardios. Qualquer sintoma persistente deve ser investigado por um médico.
Importante: a DAC também pode ser assintomática, especialmente nos estágios iniciais. Por isso, a avaliação médica regular é fundamental principalmente para quem tem fatores de risco.
Essa é uma conexão que muitas pessoas desconhecem: a DAC e o AVC (Acidente Vascular Cerebral) compartilham o mesmo processo de base, a aterosclerose. A mesma doença que obstrui as artérias do coração pode afetar as artérias do cérebro.
Além disso, a DAC eleva o risco de fibrilação atrial, que por sua vez favorece a formação de coágulos dentro do coração. Esses coágulos podem se desprender, viajar pela corrente sanguínea e causar um AVC isquêmico, quando um vaso do cérebro é bloqueado.
Existe também o AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de vasos sanguíneos no cérebro, frequentemente associado a mal-formações dos vasos sanguíneos cerebrais e à hipertensão não controlada que, por sua vez, é um dos principais fatores de risco para a própria DAC.
Em resumo: coração e cérebro estão profundamente conectados. Cuidar de um é cuidar do outro.
A boa notícia é que as estratégias de prevenção são, em grande parte, as mesmas. E elas começam com os hábitos do dia a dia:
O tratamento da Doença Arterial Coronariana depende do estágio da doença e do perfil do paciente. De forma geral, ele se divide em:
Mudanças no estilo de vida:
São a base de qualquer tratamento cardiovascular: alimentação equilibrada (com ênfase na redução de gorduras saturadas, açúcares e sódio), atividade física regular, controle do peso, abandono do tabagismo e gerenciamento do estresse.
Tratamento farmacológico:
O médico pode prescrever medicamentos para reduzir o colesterol, controlar a pressão arterial, prevenir a formação de coágulos, e tratar os sintomas como a angina. Nunca interrompa o uso de medicamentos sem orientação médica. A DAC é uma condição crônica e o tratamento geralmente é de longo prazo.
Procedimentos e cirurgias (quando necessário):
A escolha do tratamento é sempre individualizada. Seu cardiologista é quem melhor pode avaliar o que é adequado para o seu caso.
Conhecer os fatores de risco é o primeiro passo para a prevenção:
A DAC é uma doença séria, mas amplamente prevenível. As mesmas ações que protegem o coração também protegem o cérebro. Consultas regulares com seu cardiologista, exames periódicos e hábitos saudáveis são os pilares de uma vida longa e com qualidade.
Se você tem fatores de risco ou nunca fez uma avaliação cardiovascular, este é o momento de agir. Não espere sentir algo para cuidar do seu coração.
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Referências bibliográficas:
Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Armstrong AC, Mulinari RA, Feitosa ADM, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624.
Cesar LAM, Gowdak LHW, Pavanello R, Ferreira JFM, Mioto BM, Poppi NT, et al. Diretriz de Síndrome Coronariana Crônica – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025; 122(9):e20250619.
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